Cuidados com a alimentação
Controle de ganho de peso na gestação
Deve-se partir do princípio de que toda gestante deve ter um aumento em
seu peso inicial, que dependerá do estado nutricional materno e do peso no
início da gestação. Segue abaixo uma tabela demonstrativa:
Vale lembrar que para a gestante adolescente, em fase de crescimento e
desenvolvimento, as necessidades de energia e nutrientes são ainda maiores,
pois destinam-se a garantir a manutenção dos processos metabólicos e o
crescimento da mãe e do feto, além do que, a dieta inadequada é comum entre
elas o que, por si só, justificaria a assistência nutricional o mais precocemente
possível durante a gestação.
Para gestação gemelar (dois fetos), o ganho de peso total recomendado está
em torno de 16 a 20 Kg, com ganho semanal de aproximadamente 0,750 Kg
no 2º e 3º trimestres, relacionando-se com melhores resultados obstétricos.
Orientação nutricional para gestantes com ganho de peso insuficiente
- Tentar descobrir se as causas não são sintomas digestivos (enjôo,
vômitos), infecção, aumento de atividade física ou simplesmente
erros alimentares;
- No caso da alimentação estar adequada (com todos os grupos de
alimentos presentes), aumente a quantidade de alimentos a ser
ingerida, de acordo com preferências;
- Aumente o fracionamento da dieta (6 refeições ao dia) alimentandose
a cada 3 horas;
- Aumente, com orientação, a quantidade de óleo e açúcar nas
preparações (aumenta-se a densidade calórica);
- Modere o consumo de café e chá mate;
- Aumente a ingestão de líquidos entre as refeições;
- Evite o fumo e o uso de bebidas alcoólicas;
- Conscientize-se do ganho de peso recomendado.
Orientação nutricional para gestantes com ganho de peso excessivo
- Descubra as possíveis causas como enjôo, náuseas (comer para
diminuir este sintoma), ansiedade, "desejos" ou simplesmente dieta
inapropriada;
- Verifique se a sua dieta é inapropriada. Se a resposta for positiva
corrija erros alimentares como o consumo excessivo de alimentos
muito calóricos, como fritura, doce, chocolate, etc e ou de "calorias
vazias" sem valor nutricional, como o refrigerante;
- Aumente o fracionamento da dieta (6 refeições ao dia), diminuindo
a quantidade de alimentos ingeridos;
- Busque estabelecer novos hábitos, aprendendo a se alimentar
corretamente;
- Prepare os alimentos assados, cozidos ou grelhados;
- Use óleo com moderação, excluindo banha e toucinho nas
preparações;
- Para temperar use alho, cebola, ervas, cheiro-verde, sal, limão ou o
que mais apreciar, tomando cuidados com molhos industrializados;
- Não consuma arroz, batata e massas em uma mesma refeição;
escolha um destes alimentos;
- Aumente a ingestão de vegetais. Dê preferência aos crus, pois são
mais nutritivos e aumentam a saciedade;
- Aumente a ingestão de frutas ao invés de sobremesas elaboradas ou
doces;
- Use leite e derivados com menor quantidade de gordura
(desnatado);
- Aumente o consumo de alimentos integrais - são mais nutritivos e
têm mais fibras - isto ajudará no funcionamento intestinal;
- Aumente a ingestão de líquidos (água) entre as refeições;
- Utilize o açúcar para adoçar líquidos. O uso de adoçantes deve ser
conversado com o médico ou nutricionista que irão avaliar seu caso
e, havendo necessidade, poderão indicar o uso;
- Alimente-se adequadamente todos os dias, inclusive aos sábados,
domingos e feriados;
- Aumente atividade física, caso não seja contra-indicado.
É importante salientar que o fato de estar acima do peso, não significa
estar bem nutrido. Esta preocupação não visa somente à estética, mas,
principalmente, a garantia de que um desejado e recomendado ganho de
peso, evite certas patologias durante a gestação, como o desenvolvimento
de diabetes gestacional e a hipertensão arterial, que podem acontecer pelo
aumento exagerado no peso e, conseqüentemente, comprometer a saúde da
mamãe e do bebê.
O sobrepeso e a diabetes podem ainda causar problemas no momento do
parto, e dificultar a recuperação pós-parto.
Psicologia do controle de peso e modificação do comportamento
A modificação do comportamento como coadjuvante na terapia do controle
de peso é usada há alguns anos, e tem sido fundamental para o sucesso do
emagrecimento. Na gravidez, com a mudança natural do metabolismo, essa
modificação é muito importante.
O obeso, independentemente da idade, tem, na maioria das vezes, hábitos
alimentares "precários". Se os costumes anteriores causam excesso de peso,
a paciente precisa, então, mudar seus hábitos.
A gestante, com tendência a obesidade, deve estar, em primeiro lugar,
consciente de que precisa controlar o peso. Mas só a consciência não basta;
precisa estar realmente interessada em controlar a alimentação, desejando
muito realizar essa tarefa. Deve criar soluções possíveis e ficar profundamente
envolvida com o planejamento da alimentação. Se no início do plano não ficar
satisfeita, deverá ter paciência e entusiasmo para ajustes e satisfação completa
do programa. Esse total envolvimento é fundamental para o sucesso do
programa. Se isso não ocorrer, a paciente obesa se limitará a "seguir dietas"
por tempo determinado, não engordando muito em um determinado mês,
mas depois tornará, provavelmente, a ter um aumento de peso mensal acima
do desejado, por não ter mudado seus hábitos e padrões alimentares: hábitos
alimentares são adquiridos.
A mudança de qualquer comportamento, especialmente o alimentar, não
é fácil nem rápida. Enquanto aprendem novos hábitos e alteram os antigos,
as pessoas precisam de incentivo e reforço positivo constantes. No começo,
muito disso vem de observações próprias na forma de anotações diárias que
mostram o controle sobre o comportamento alimentar. Mais tarde, o reforço
virá dos comentários das outras pessoas a respeito da boa aparência, do bemestar
e de uma imagem física agradável. É sempre bom lembrar que a meta é
a adoção de melhores hábitos, o que, conseqüentemente, levará a um ganho
adequado de peso na gestação.
A idéia do novo hábito é essencial. A gestante deve absorver e fixar
essa filosofia, fazendo com que esteja presente em todos os momentos do
cotidiano.
Sugestões para iniciar mudanças do comportamento alimentar
- Mastigue cada porção de alimento 15 vezes, antes de engolir;
- Deixe os talheres no prato entre cada porção de alimento;
- Espere 15 segundos entre cada porção de alimento;
- Sente-se à mesa antes de começar a comer;
- Coma em apenas um lugar, preferencialmente na cozinha ou na sala
de jantar. Não veja TV, nem trabalhe durante as refeições. Quando
não estiver comendo, torne-se indiferente à comida;
- Descubra outras atividades, além da alimentação, que sejam
agradáveis (sociais e esportivas), e exerça-as em vez de comer;
- Sirva refeições em um prato menor, de modo a parecer que há mais
alimento;
- Escreva a quantidade de tudo que foi comido para não ultrapassar o
número de calorias programado;
- Falar muito ou discutir durante as refeições aumenta a ingestão de
ar (aerofagia), prejudicando a secreção de enzimas digestivas;
- Não use goma de mascar (chiclete);
- Faça de 5 a 6 refeições por dia, mas não ultrapasse o número de
calorias recomendado (5 ou 6 refeições não significa "beliscar").