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Perguntas e Respostas

A Fertilidade dos 46 aos 55 anos e Daí em Diante

1) Qual é a chance de uma mulher ou um homem terem filhos após os 46 anos?
R: Como foi comentado no capítulo anterior, a influência da idade na fertilidade do homem é pequena. Na mulher essa influência é muito maior, sendo excepcional a gravidez após essa idade.

2) Como deve proceder um casal cuja mulher está acima dos 46 anos?
R: O primeiro passo é procurar um especialista em Reprodução Humana para se conscientizar das chances da gestação e dos riscos envolvidos numa gravidez nessa idade.

3) Qual a chance de uma gravidez espontânea ocorrer após essa idade?
R: Mínima. É muito comum pacientes contestarem essa possibilidade alegando que conhecem pessoas ou ouviram notícias de mulheres que engravidaram após essa idade. A chance é pequena, mas não impossível. É fundamental que o casal tenha consciência das restrições nessa fase da vida, assim evitarão ilusões que muitas vezes estão mais próximas de um milagre. Mas, nada é impossível.

4) Quais são os riscos de uma gestação após essa idade?
R: Em primeiro lugar deve ser considerada a possibilidade de intercorrências clínicas de uma gestação nessa fase da vida, como: diabetes, hipertensão arterial, problemas de coluna etc. Depois, caso se consiga a gestação, com seus próprios óvulos (podem ser usados óvulos doados), sempre deverá ser avaliada a grande probabilidade de abortamento e malformação.

5)Caso uma mulher nessa fase da vida deseje ter filhos com seus próprios óvulos qual deverá ser o tratamento?
R: Após avaliação clínica e hormonal, o ideal é realizar a Fertilização In Vitro, que proporciona maior chance de resultados positivos.
Nesse tipo de procedimento os embriões provenientes da Fertilização In Vitro são avaliados e a qualidade dos óvulos também. As taxas de gravidez nesses tratamentos e nessa idade são muito baixas, mas não impossíveis. O casal deve ter consciência disso.

6) Qual deverá ser a melhor alternativa para um casal cuja mulher tem essa idade?
R: Do ponto de vista de resultados a melhor alternativa é a doação de óvulos. O casal deverá conhecer bem esse processo. É importante que sejam previamente avaliados psicologicamente para saber se estão preparados para esse procedimento.

7) Mas, se o óvulo é de outra mulher (doadora), isso significa que os genes dessa criança não são da mãe receptora (mulher que vai gerar o bebê)?
R: Exatamente. Os cromossomos desse bebê serão metade do marido da mulher receptora (que é a mulher que tem mais de 46 anos) e metade dos cromossomos da mulher doadora.

8) A receptora pode conhecer a mulher doadora?
R: Não, de forma alguma. No Brasil a ovodoação é um tratamento considerado ético, mas a doadora não poderá ser conhecida pelo casal. Muitos casais gostariam de ter os óvulos de alguém da sua própria família com a finalidade de manter a herança genética familiar, mas isto não é possível. É obrigatório o anonimato. É importante esse conhecimento pelo casal que vai receber óvulos doados para ter consciência que quem doou os óvulos jamais terá algum direito sobre seu filho.

9) Até que idade uma mulher pode ter filhos com óvulos doados?
R: Não existe uma lei que determine a idade máxima. Mas, existe um concenso que 55 anos deva ser uma idade máxima. É evidente que algumas clínicas aceitam fazer tratamentos desse tipo em mulheres com mais idade, mas são poucas. Algumas vezes ouve-se notícias que mulheres entre 60 e 70 anos deram à luz. Esse fato é tão raro que é noticiado pelos meios de comu nicação no mundo.

10) Existe algum fundamento neste limite de idade?
R: Acredita-se que muitas mulheres após esta idade terão problemas clínicos importantes durante a gestação (diabetes, hipertensão etc) que podem colocar a vida da gestante em risco. Deve-se ponderar também o constrangimento da criança, quando chegar à adolescência e observar que sua mãe assemelha-se às avós de seus colegas.
Uma vez que a ovodoação é um tratamento íntimo que normalmente é do conhecimento exclusivo do médico e do casal, acredita-se que esse tipo de mal-estar da criança deverá ser evitado. Não se deve esquecer que alunos do colegial (adolescência) já têm o conhecimento que na biologia da reprodução é impossível a gestação após os 60 anos.

11) As mulheres nessa idade têm sempre condições de ter uma gestação?
R: Nem sempre. Por isso, antes que se inicie o processo de Fertilização In Vitro, deverão passar por uma avaliação ginecológica, clínica e cardiológica e fazer os seguintes exames. Exames complementares para avaliação ginecológica:
- Ultrassom 
- Histeroscopia
- Papanicolau
- Mamografia
- Exames de sangue – hormonais e de doenças infecciosas (HIV, Hepatite etc)
- Espermograma etc.
- Exames complementares para avaliação clínica
- RX tórax
- Eletrocardiograma
- Exames de sangue em geral (glicemia, colesterol etc)
- Outros, se necessário
- Avaliação psicológica e emocional.

12) Como ocorre o processo de fertilização entre uma doadora e uma receptora?
R: O processo é de uma Fertilização In Vitro. A doadora deverá passar por um processo de indução da ovulação indicado para o Bebê de Proveta. Paralelamente, a receptora recebe hormônios, que preparam o endométrio para receber os embriões. Enquanto os óvulos se desenvolvem na doadora, o endométrio da receptora fica mais espesso a cada dia. Quando os óvulos da doadora forem aspirados, parte deles serão encaminhados para a receptora, sendo fertilizados com o sêmen do próprio marido. A seguir, os embriões são transferidos para cada uma das pacientes (mais detalhes no capítulo 12 – Fertilização In Vitro).

13) Quais são as regras para a ovoadoação?
R: Basicamente são 3:

- A doação nunca terá caráter lucrativo ou comercial. Não se vende óvulos (nem espermatozoides);
- Os doadores não podem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa. Obrigatoriamente será mantido o sigilo e o anonimato. A legislação não permite doação entre familiares;
- As clínicas especializadas mantém de forma permanente um registro dos doadores, dados clínicos de caráter geral com as características fenotípicas (semelhança física), exames laboratoriais que comprovem sua saúde física e uma amostra celular. A escolha de doadores baseia-se na semelhança física, imunológica e na máxima compatibilidade entre doador e receptor (tipo sanguíneo etc).

14) Quem são as mulheres que podem doar óvulos?
R: As doadoras devem ter as seguintes características:
a) Menos do que 35 anos de idade;
b) Bom nível intelectual;
c) Histórico negativo de doenças genéticas transmissíveis;
d) Teste negativo para doenças infecciosas sexualmente transmissíveis (hepatite, sífilis, Aids etc) e tipagem sanguínea compatível com a receptora.

15) Qualquer mulher pode doar óvulos?
R: O importante é preencher os requisitos das perguntas 13 e 14 (deste capítulo). Qualquer mulher que preencha esses itens e seja desconhecida da receptora poderá doar óvulos. Entretanto, as principais fontes de doadoras são:

a) Mulheres férteis, que desejam submeter-se à ligadura tubária, poderão ser incentivadas a aceitar a estimulação ovariana e a doação dos óvulos.

b) Pacientes do programa de Fertilização In Vitro ou Inseminação Intrauterina (IIU) com altas respostas ao estímulo ovariano, às vezes, desejam de forma voluntária e anônima doar parte dos óvulos obtidos. São pacientes que não desejam congelar embriões nem óvulos e temem demais uma gestação múltipla.

c) Óvulos congelados provenientes de mulheres submetidas à tratamentos de Fertilização In Vitro que engravidaram e tiveram seu(s) filho(s). De alguma forma, o sucesso do tratamento já realizado indica uma boa qualidade desses óvulos. Estas pacientes, quando não desejam ter mais filhos, muitas vezes doam os óvulos excedentes. A chance de gravidez, nesses casos, está entre 25 a 30%. Vale ressaltar que a doação de óvulos é muito mais fácil de ser aceita pela paciente em relação à doação de embriões. Como a chance de gestação com óvulos congelados está cada vez mais próxima à de embriões congelados, vale à pena o incentivo para o congelamento de óvulos para mulheres jovens que os produzem em grande quantidade.

d) Doação compartilhada. Nesse caso, a receptora pagaria parte dos custos da paciente, que tem indicação para bebê de proveta (doadora), mas não pode fazê-lo por motivos financeiros. Em troca, a receptora recebe metade dos óvulos produzidos pela doadora. Dessa forma, estaremos ajudando duas mulheres e dando a elas o direito de ser mãe. Essa posição pode ser considerada eticamente controvertida, uma vez que a doadora está sendo beneficiada economicamente, embora não esteja recebendo dinheiro para isso. 

e) Irmãs, familiares e outras que queiram ajudar a receptora podem ser doadoras desde que, façam uma doação cruzada, isto é, os óvulos do familiar de uma doadora serão doados para outra receptora que também terá uma familiar que doará para a primeira receptora – “A” tem uma irmã que se chama “X” e outra paciente receptora “B” tem uma irmã que se chama “Y”. Nesse caso, a paciente “A” poderá receber óvulos da doadora “Y” e a receptora “B” poderá receber óvulos da doadora “X”. Dessa maneira, será preservado o anonimato.

f) Doação por generosidade pura é muito rara. Algumas mulheres de maneira altruística ou já beneficiadas por tratamentos anteriores de Fertilização In Vitro, não desejando mais ter filhos e movidas por um sentimento de gratidão, se oferecem para doar seus óvulos sem qualquer benefício.

16) Existem outras razões para uma mulher receber óvulos de uma doadora?
R: Outras possibilidades podem indicar o uso de óvulos de doadora. São elas:

- Ausência congênita ou retirada cirúrgica dos ovários.
- Doenças genéticas transmissíveis da mulher.
- Falhas repetidas de tratamentos de Fertilização In Vitro que aconteceram devido à má resposta ovariana ou a embriões de má qualidade.
- Menopausa precoce.